Ternurinha lança disco beneficente

Primeiro CD de Wanderléia depois de 20 anos traz canção feita para o filho que perdeu
Nelson Gobbi ,ngobbi@jbonline.com.br

Reprodução

O álbum beneficente estimulou a cantora a pensar em novos trabalhos, como lançar outro CD em 2004. Há mais de uma década longe dos estúdios, Wanderléa encontrou um motivo mais que nobre para voltar a gravar um álbum: ajudar o Pequno Cotolengo, entidade voltada para crianças e adultos portadores de necessidades especiais. O disco leva o nome de uma canção composta para o filho Leonardo, morto há 19 anos, um acalanto de esperança: O amor sobreviverá.
"Fiz o disco para a instituição, mas ele acabou sendo um presente para mim também. Pela primeira vez na carreira, assumi a direção do trabalho, pude colocar no CD coisas que eu gosto de fazer nos shows. Não fiz nenhuma concessão em relação à sonoridade e repertório, o que seria impossível dentro de uma gravadora", diz a cantora, cujo último disco lançado foi Te amo (1992). O álbum traz grandes sucessos da Jovem Guarda, como É preciso saber viver, Eu sou terrível, Negro gato e Pare o casamento, em novos arranjos, além de músicas de Gilberto Gil (Back in Bahia), Tim Maia (Não vou ficar) e Rita Lee (Menino bonito). Wanderléa também apresenta dois temas inéditos, Veio mostrar e a faixa-título, composta com o marido Lalo Califórnia como uma homenagem a Leonardo, que se afogou aos dois anos de idade, em 1984. "Essas músicas foram compostas há mais de 15 anos, como boa parte do material que tenho guardado. Venho produzido muito no estúdio que temos em casa, só falta uma boa oportunidade para os novos trabalhos chegarem ao mercado", revela Wanderléa, que espera lançar outro álbum em 2004. A cantora conheceu a obra social Pequeno Cotolengo há 20 anos, por intermédio do padre Pedro Bertolini - seminarista, na época -, que dirige a entidade desde o ano 2000. A instituição foi criada em 1965, em Curitiba (PR), e atende cerca de 230 crianças e adultos, a maioria em decorrência de paralisia cerebral, apenas na capital paranaense. Além da sede curitibana, a entidade está presentes nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. "Gravei o disco no ano passado a partir de um projeto semelhante, que um cantor local havia feito para ajudar a instituição. Mas, nunca pensei em lançá-lo comercialmente. Recebi com surpresa o convite feito pela BMG para distribuir o CD, e agora a instituição vai ganhar mais em royalties do que já ganhei em qualquer outro trabalho anterior", comemora Wanderléa. Além do novo álbum, os fãs da Ternurinha podem contar com a sua volta a TV, já que ela sente-se mais à vontade para aceitar os convites das emissoras. "Tenho cuidado para não me expor demais na mídia, sem ter algo diferente para mostrar. Fiquei muito tempo se
gravar porque recebia propostas quase obscenas, até para cantar axé fui sondada. Fico feliz por poder voltar em um trabalho no qual fiquei totalmente satisfeita, fazendo só o que queria. O disco foi o meu habeas corpus como artista.

[03/DEZ/2003]

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